Netanyahu lidera apuração em Israel, mas sem maioria
A coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu lidera nesta quarta-feira (28) a apuração após a contagem de dois terços dos votos das eleições legislativas em Israel, mas no momento sem maioria para governar.
Na terça-feira (27), os eleitores compareceram em peso às urnas para dar um veredicto sobre o governo de Netanyahu, o primeiro-ministro mais longevo da história do país, que levou Israel na direção da extrema direita e desencadeou uma onda de guerras em resposta aos ataques do movimento islamista palestino Hamas de 7 de outubro de 2023.
Após a votação, Netanyahu e seu rival, o centrista Gadi Eisenkot, prometeram cada um formar o governo, apesar de nenhum dos dois ter a previsão de conquistar a maioria no Parlamento.
Com 66,3% dos votos apurados, o bloco de direita e extrema direita de Netanyahu tinha 54 das 120 cadeiras do Parlamento. A coalizão de oposição de Eisenkot somava 48 e os partidos árabes, 18. Os resultados parciais, no entanto, podem mudar nas próximas horas.
As pesquisas de boca de urna apontavam um empate técnico entre o bloco de Eisenkot, um ex-comandante militar e novato na política, e o campo de Netanyahu, ambos com 51 cadeiras e muito distantes do número necessário para controlar o Legislativo.
Os eleitores dos partidos árabes israelenses compareceram em grande número às urnas contra Netanyahu, que advertiu de modo incessante que esta minoria enfraqueceria a orientação nacionalista judaica para a qual ele conduziu o país.
Os resultados parciais sugerem que o bloco de Eisenkot teria cadeiras suficientes para obter a maioria se estabelecesse um acordo de coalizão com as legendas árabes, mas grande parte de seus integrantes expressou dúvidas com esta opção durante a campanha eleitoral.
Porém, Yair Golan, líder do principal partido de esquerda de Israel e integrante do bloco de Eisenkot, fez exatamente este apelo nesta quarta-feira.
"Não devemos mais aceitar a divisão racista de Netanyahu entre votos judeus e votos árabes", escreveu no X. "Temos uma responsabilidade. E temos a oportunidade de formar um governo de mudança em parceria com os cidadãos árabes de Israel", acrescentou.
Eisenkot declarou durante a campanha que não governaria com parlamentares árabes israelenses, repetindo a postura de Netanyahu, que considerou que um governo dependente dos votos árabes careceria de legitimidade.
Os deputados árabes poderiam oferecer apoio a Eisenkot em votações parlamentares para manter um governo minoritário sem aderir a uma coalizão.
- Sem maioria -
Diante da ausência de maioria de qualquer bloco, o país pode iniciar um período de semanas de negociações para a formação de alianças e até novas eleições, em caso de fracasso das negociações.
Mas um empate poderia beneficiar, a curto prazo, Netanyahu, que permaneceria como primeiro-ministro interino até a formação de um novo governo.
Os resultados completos devem ser anunciados até a noite de quinta-feira ou na manhã de sexta-feira.
Netanyahu, ao saudar seus apoiadores em um centro de convenções em Jerusalém, prometeu um "governo de direita forte" e afirmou que a "maioria judaica e sionista deve se unir".
O primeiro-ministro, de 77 anos, que governou Israel de forma intermitente por quase duas décadas, foi incomumente breve e não reivindicou diretamente a vitória.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou à imprensa que seu apoio a Netanyahu havia ajudado "muito" o primeiro-ministro nas eleições.
- "Mudança" -
Eisenkot, ao discursar para seus apoiadores em Tel Aviv, fez um alerta velado ao primeiro-ministro, que, segundo analistas, poderia se aproveitar de uma guerra para impulsionar um governo de unidade.
"Nem pense em usar a segurança de Israel para fins políticos", disse. Ele chamou Netanyahu de "primeiro-ministro interino, sem mandato nem a confiança do povo".
As eleições aconteceram em um momento em que Israel se vê cada vez mais isolado no cenário mundial, devido à guerra no Irã e à campanha militar em Gaza, ao vertiginoso aumento da construção de assentamentos e à violência na Cisjordânia ocupada.
Eisenkot concorda com Netanyahu em várias questões na área de segurança e apoiou a ofensiva em Gaza após os ataques de 7 de outubro, o que reduziu o território palestino a escombros.
Ele se comprometeu, no entanto, a criar um ambiente mais inclusivo dentro de Israel e a frear os colonos violentos na Cisjordânia.
Após uma taxa de participação de quase 78%, a mais elevada desde 1999, Eisenkot disse que seria um erro convocar uma segunda votação e prometeu trabalhar "rápido" para formar um governo.
As pessoas "votaram pela mudança", afirmou em um estádio de Tel Aviv. "Um líder digno aceitaria o voto de censura do povo e anunciaria hoje mesmo sua aposentadoria da vida política".
As listas árabes israelenses surpreenderam, segundo as pesquisas de boca de urna, que atribuem 18 ou 19 cadeiras aos partidos, o que representa um forte avanço.
Os árabes israelenses, também conhecidos como cidadãos palestinos de Israel, representam quase 21% da população do país.
N. Lebedew--BTZ