UE apresenta nova estratégia para o Ártico diante de ameaças dos EUA e da Rússia
A União Europeia (UE) apresentou nesta terça-feira (20) sua estratégia para reforçar a vigilância no Ártico e ampliar a frota de navios quebra-gelo, em meio à rivalidade com Rússia, Estados Unidos e China nessa região estratégica.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou o plano ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, nove meses após as ameaças de Donald Trump em relação à Groenlândia.
Nessa região cobiçada por Estados Unidos, Rússia e China, a Europa deve reforçar sua "posição estratégica", destacou a presidente do braço Executivo da UE.
Von der Leyen fez referência explícita à ameaça representada pela Rússia, que está ampliando sua "presença militar" nessa região estratégica.
A Europa não esqueceu as pretensões de Trump de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo dinamarquês abalado pelas declarações do presidente americano no início de 2026.
As tensões diminuíram desde o acordo firmado em setembro por Dinamarca, Estados Unidos e Groenlândia, que pôs fim, pelo menos por enquanto, à crise.
Agora, o bloco de 27 países quer evitar que um episódio semelhante volte a ocorrer.
"A soberania, a integridade territorial e as regras que garantiram a estabilidade dessa região já não podem ser consideradas garantidas", ressaltou von der Leyen.
Com a nova estratégia, a UE pretende ampliar a frota europeia de navios quebra-gelo, fortalecer seu sistema de vigilância para identificar melhor as embarcações das chamadas frotas fantasmas e, a longo prazo, conectar a Europa ao Japão por meio de um cabo submarino.
No entanto, o documento não prevê financiamento adicional.
Von der Leyen já havia anunciado 200 milhões de euros (1,13 bilhão de reais) para a Groenlândia durante sua visita ao território autônomo dinamarquês no início de setembro.
A Groenlândia pretende utilizar esses novos recursos europeus para participar de projetos concretos, como a melhoria do acesso à internet.
Por sua vez, a UE espera aproveitar a iniciativa para diversificar o acesso europeu a matérias-primas críticas, atualmente muito dependente da China.
A estratégia europeia também recomenda reforçar a cooperação com países que não integram a UE, mas compartilham os mesmos objetivos, como Canadá, Reino Unido e Noruega.
A Europa propõe ainda organizar regularmente uma cúpula que reúna os parceiros da "vizinhança nórdica".
Os Estados Unidos estão entre os países que poderiam participar. No entanto, o país, durante muito tempo um aliado fundamental na região, está notavelmente ausente do restante do documento.
M. Tschebyachkinchoy--BTZ