EUA sanciona pessoas ligadas à flotilha humanitária para Gaza
Os Estados Unidos impuseram, nesta terça-feira (19), sanções contra quatro pessoas ligadas a uma flotilha que transportava ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, sob acusação de serem "pró-terroristas".
Na segunda-feira, as forças israelenses interceptaram uma flotilha que zarpou na semana passada com ajuda, após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusá-la de fazer parte de um "esquema malicioso" para apoiar o grupo islamista Hamas.
A flotilha fazia parte da Global Sumud, uma coalizão internacional de ativistas que tenta levar ajuda aos palestinos de Gaza, burlando o bloqueio naval que Israel impõe ao território palestino.
"A flotilha pró-terrorista que tenta chegar a Gaza é uma tentativa ridícula de minar os avanços bem-sucedidos do presidente (americano, Donald) Trump rumo a uma paz duradoura na região", afirmou o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent.
Apesar de um cessar-fogo, as operações israelenses em Gaza continuam e o território palestino segue enfrentando uma crise humanitária, segundo a Organização das Nações Unidas.
As autoridades americanas afirmaram que as pessoas sancionadas eram associadas à Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), um grupo que, segundo Washington, funciona como fachada para movimentos armados palestinos, entre eles o Hamas.
Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que este grupo islamista recorre aos sancionados "para manter sua posição em Gaza, financiar suas operações e realizar atos de violência terrorista além de suas fronteiras".
Alguns sancionados foram acusados de associação com a Rede de Solidariedade aos Prisioneiros Palestinos Samidoun, que Israel e Estados Unidos acusam de ser uma fachada para grupos armados.
Entre os alvos das sanções está Saif Abu Keshek, um cidadão espanhol de origem palestina, que no começo do mês ficou detido por vários dias em Israel após as forças israelenses o capturarem em outra flotilha no fim de abril em frente à costa da Grécia. Ele foi deportado em 10 de maio.
O brasileiro Thiago Ávila, detido juntamente com Abu Keshek, foi deportado por Israel no mesmo dia. Não há informações sobre sanções dos Estados Unidos contra ele.
Durante a detenção, o ministério israelense das Relações Exteriores acusou Abu Keshek de ser uma liderança da PCPA. Um grupo de defesa dos direitos humanos israelense que o representou na justiça negou a acusação, argumentando que ele tinha tinha deixado o grupo havia mais de um ano.
Os outros indivíduos alvos de sanções por ligação com as flotilhas de ajuda a Gaza são Mohammed Khatib, radicado na Bélgica, além de Hisham Abdallah Sulayman Abu Mahfuz e Jaldia Abubakra Aueda, baseados na Espanha.
A guerra de Israel em Gaza, desencadeada por um ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, deixou 72 mil mortos no território palestino, segundo o Ministério da Saúde local.
O. Petrow--BTZ