Confederação Asiática muda de lado e agora apoia Infantino
O presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC) afirmou, nesta sexta-feira (23), que a região apoia a candidatura de Gianni Infantino à reeleição como presidente da Fifa, após ter rejeitado anteriormente seu projeto de criar uma sociedade comercial aberta a investidores privados.
O suíço, de 56 anos, participava de uma reunião da AFC em Tóquio quando o presidente da entidade, o xeque Salman bin Ebrahim al Khalifa, manifestou seu apoio.
Em agosto, a AFC havia se juntado à Uefa e à Concacaf para rejeitar um plano de Infantino que visava abrir competições da Fifa — como a Copa do Mundo — a investidores privados, por meio de uma empresa criada especificamente para esse fim.
Em decorrência desse plano, surgiram diversas vozes pedindo sua renúncia. Infantino também perdeu o apoio de muitas associações em sua corrida pela reeleição para um quarto e último mandato.
"Acredito que reafirmamos nosso compromisso total, é claro, em apoiar você e sua liderança na busca por um novo mandato como presidente da Fifa", declarou Salman, ressaltando que o apoio da AFC a Infantino é "muito claro".
Quanto aos desentendimentos anteriores, Salman observou que, no passado, houve "alguns problemas" entre eles.
"Mas não vamos misturar as duas coisas. Precisamos seguir em frente... o futebol fica mais forte quando trabalhamos juntos", insistiu.
Gianni Infantino, que na semana passada pediu desculpas pelo projeto fracassado, está à frente da Fifa desde 2016 e disputará a reeleição em março próximo.
- Infantino agradecido -
Em resposta ao apoio da AFC, Infantino disse: "Vimos a transformação pela qual o futebol asiático e, consequentemente, o futebol mundial passaram nestes anos".
"Tornou-se algo realmente global. É algo para todos e não teria sido possível sem uma Ásia unida e comprometida. Por isso, agradeço muito a vocês", acrescentou Infantino.
O prazo final para a apresentação de candidaturas é 18 de novembro. Por enquanto, não surgiu nenhuma candidatura de peso para rivalizar com ele, apesar das críticas feitas ao dirigente, sobretudo na Europa.
Muitas das principais federações nacionais europeias decidiram retirar seu apoio a ele em decorrência de várias polêmicas, como sua estreita relação com o presidente americano Donald Trump.
Há dois meses, a AFC e o xeque Salman avisaram que poderiam retirar o apoio a Infantino.
Em uma carta conjunta com a Uefa e a Concacaf, a confederação asiática declarou, na ocasião, que o futebol "não pertence a nenhum indivíduo".
"Quando a confiança é quebrada por meio do engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou a autoridade, esse dever foi abandonado", declararam as três confederações.
Infantino recebeu o apoio direto da Confederação Africana de Futebol (CAF), enquanto a Conmebol, da América do Sul, se mostrou amplamente favorável a ele.
As confederações não votam em bloco, e também houve manifestações de apoio a Infantino dentro da Concacaf.
No âmbito da AFC, ele já contava com o apoio do Kuwait, do Catar, anfitrião da Copa do Mundo de 2022, e da Arábia Saudita, que sediará a Copa do Mundo de 2034.
P.Grazvydas--BTZ