Argentina incentiva demissões de 20 mil empregados públicos
O governo argentino lançou, nesta segunda-feira (19), um plano de demissão voluntária com o qual espera cortar 20 mil novos postos de trabalho na administração pública, que se somam aos mais de 77 mil já suprimidos durante a presidência de Javier Milei.
O novo plano, que se estenderá por um mês a partir de 1º de novembro, busca "uma adequada e eficiente alocação dos recursos públicos", afirma um decreto publicado no Diário Oficial.
"Continuamos buscando maneiras de reduzir o gasto público para continuar baixando impostos", escreveu no X o ministro de Desregulação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger.
O programa prevê diferentes planos de pagamento e valores de acordo com a idade e o tempo de serviço dos empregados, e inclui uma cláusula que proíbe o retorno à administração pública por oito anos.
A Associação de Trabalhadores do Estado (ATE) anunciou uma marcha para protestar contra o plano. "Não é desligamento voluntário, é demissão extorsiva. A rejeição a este decreto é total", escreveu no X o secretário-geral do sindicato, Rodolfo Aguiar.
O funcionalismo público é um dos mais afetados pela política de "motosserra" sobre o gasto estatal de Milei.
Segundo números divulgados em setembro por Sturzenegger, 21% dos postos de trabalho do Estado nacional foram perdidos desde que Milei chegou à presidência, em dezembro de 2023, o que equivale a menos 77.500 empregos.
Além dos cortes no setor público, 270.000 empregos foram suprimidos no setor privado formal, em um contexto marcado pela austeridade fiscal e queda da atividade econômica, segundo fontes sindicais.
Sturzenegger reivindica a criação de 400 mil vagas, embora o cálculo inclua o emprego informal e trabalhadores autônomos.
A informalidade trabalhista na Argentina cresceu três pontos em três anos e se situa em torno de 45%.
P.Grazvydas--BTZ