Arábia Saudita diz que ataque dos houthis causou incêndio na Aramco e feriu quatro pessoas
A Arábia Saudita afirmou nesta quarta-feira (14) que um ataque contra a sede da petroleira Aramco, no leste do país, provocou um “incêndio limitado” e que destroços de mísseis lançados pelos houthis pró-Irã do Iêmen deixaram quatro feridos na capital Riade.
A ação ocorreu horas depois de a coalizão liderada pela Arábia Saudita, que combate os houthis, anunciar que havia interceptado vários mísseis na noite de terça-feira, alguns deles sobre Riade.
Um funcionário do Ministério da Energia saudita informou que um prédio administrativo da gigante petrolífera Aramco, em Dharan, foi atingido no ataque, provocando um incêndio sem causar vítimas.
A Defesa Civil da Arábia Saudita informou nesta quarta que duas mulheres, um homem e uma criança ficaram feridos em Riade pela queda de destroços de dois mísseis de cruzeiro lançados pelos houthis, que danificaram 15 residências.
Mais cedo, a coalizão atacou instalações de petróleo no Iêmen, inclusive na capital, Saná, em resposta à ofensiva mais letal em anos em território saudita.
A guerra civil no Iêmen, que opõe os houthis apoiados pelo Irã ao governo iemenita respaldado por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, foi retomada em julho em meio ao conflito que abala o Oriente Médio e os mercados de energia.
Os ataques dos houthis, um movimento pró-iraniano que controla boa parte do Iêmen e está em conflito com a Arábia Saudita há mais de uma década, se intensificaram no fim de semana, e um ataque contra o aeroporto de Riade deixou 13 mortos.
Na terça, os houthis afirmaram que a Arábia Saudita atacou uma instalação petrolífera em Saná, depois que a coalizão pediu que os civis deixassem a área em sua primeira ordem de evacuação para a capital iemenita desde a retomada dos combates.
Horas mais tarde, o porta-voz da coalizão liderada por Riade, general Turki al Maliki, confirmou no X ataques contra instalações de petróleo na capital do Iêmen e afirmou que foram atingidos alvos nas províncias de Saada e Dhamar, no oeste do país.
Um alerta no canal de televisão Al Masira – alinhado aos houthis – informou que "a agressão saudita tem como alvo a empresa petrolífera em Al Sabaha, a oeste de Saná".
Com medo de um desabastecimento, muitos civis fizeram filas nos postos de gasolina de Saná após o alerta da coalizão, informou um correspondente da AFP.
- Consequências "desastrosas" -
Desde 2015, a Arábia Saudita apoia militarmente o governo iemenita na guerra civil contra os houthis, um conflito que provocou uma profunda crise humanitária em um dos países mais pobres do mundo.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) advertiu que uma intensificação das hostilidades teria consequências "desastrosas" para dezenas de milhões de pessoas e a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que os casos suspeitos de cólera triplicaram no Iêmen em três semanas.
Enquanto isso, os combates continuavam no Iêmen, apesar dos bombardeios da aviação saudita, e os combatentes apertaram o cerco sobre Taiz, a terceira cidade do país.
Os houthis também buscam fazer pressão econômica com ataques contra petroleiros no Mar Vermelho, a rota alternativa de exportação da Arábia Saudita diante do bloqueio imposto pelo Irã ao trânsito pelo Estreito de Ormuz desde o início da guerra no Oriente Médio.
Essa estratégia afeta os preços do petróleo em todo o mundo, e o presidente americano, Donald Trump, acusou, nesta terça-feira, os houthis de tentarem "fazer os preços do petróleo subirem" antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro.
"Os houthis estão se comportando muito mal", escreveu Trump em sua plataforma, Truth Social, mas sem deixar claro se isso significava um maior apoio militar para a Arábia Saudita.
A Arábia Saudita enfrenta essa onda de ataques em um momento em que já sofria as consequências do conflito regional.
Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o país encerrará o ano com uma contração de 3,3% de seu PIB, cinco pontos abaixo da previsão feita em julho. Essa estimativa não incorpora o impacto dos ataques mais recentes, nem a tomada de controle por parte dos houthis do Estreito de Bab al-Mandeb e da costa iemenita no Mar Vermelho, fatores que podem agravar ainda mais as dificuldades econômicas do reino.
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A. Lefebvre--BTZ