As acusações chocantes no livro do irmão da princesa Diana
Em um livro lançado nesta terça-feira (22), mas que já domina as manchetes há dias, o irmão da princesa Diana, Charles Spencer, acerta contas com a família real britânica, em particular com o rei Charles III, quase 30 anos após a morte da princesa.
Estas são as principais acusações contidas em "Canto do Cisne: Diana, a minha irmã", cujos trechos, publicados desde 16 de setembro pelo Daily Mail, provocaram um desmentido incomum do Palácio de Buckingham:
- Charles III na mira -
Spencer afirma que o ex-marido de Diana, então príncipe de Gales, parecia "despreocupado e jovial", como se "tivesse ganhado na loteria", durante um telefonema após o acidente fatal dela em 31 de agosto de 1997, em Paris.
A morte da princesa de 36 anos, que se tornara uma celebridade mundial, chocou o mundo. Segundo o irmão, o herdeiro do trono viu nesse evento a oportunidade de "casar-se com a mulher que amava", Camilla, agora rainha consorte.
Em outro trecho, ele relata uma discussão que teve com Charles sobre a participação dos príncipes William e Harry na procissão atrás do caixão da mãe durante o funeral. Ele acusa Charles de ter demonstrado "desprezo" por Diana e de ter dito que ela seria "logo esquecida".
Em uma atitude bastante incomum, a acusação levou o palácio real a refutar essa versão dos fatos: "A dor do luto familiar pode nublar a razão, prejudicar o julgamento e distorcer as memórias."
Em entrevista ao Mail on Sunday, Charles Spencer, de 62 anos, manteve suas alegações e criticou o rei por questionar seu depoimento.
Ele também afirma que Diana considerou anular seu casamento após descobrir uma pulseira que Charles havia comprado para Camilla, e que a princesa de Gales, atormentada por pensamentos suicidas, dirigiu várias vezes até Beachy Head, um penhasco no sul da Inglaterra, mas seu amor pelos filhos "a impediu de ir além", escreveu o irmão.
- Elizabeth II também não foi poupada -
Segundo Spencer, a rainha Elizabeth II, que morreu em 2022, reagiu inicialmente com "irritação" ao saber do acidente de Diana. A monarca teria dito: "O que ela fez agora?", antes de compreender a gravidade da situação.
De acordo com o livro, após a morte de Lady Di, Elizabeth II propôs restaurar o título de Alteza Real, que lhe havia sido retirado após o divórcio do príncipe Charles em 1996. Seu irmão rejeitou a oferta.
Na época, a rainha foi criticada por sua aparente indiferença, que contrastava fortemente com a comoção internacional causada pela morte da princesa.
- O palácio reage -
Após sua reação aos comentários dirigidos a Charles III, o Palácio de Buckingham manteve-se em silêncio sobre o conteúdo do livro e as entrevistas concedidas por Spencer, particularmente à BBC.
No entanto, diversos veículos de comunicação citaram fontes próximas ao palácio que denunciam a "hipocrisia" do irmão de Diana, criticando-o por expor a vida privada da princesa enquanto, simultaneamente, acusa a imprensa sensacionalista de tê-la assediado em vida.
Ex-jornalista e autor de livros sobre a história da propriedade da família em Althorp, onde Diana está sepultada, Spencer considerou seu "dever", como testemunha, escrever esta nova obra, também para corrigir as "falsidades que se enraizaram ao longo do tempo".
- Paralelo com Harry e Meghan -
Em sua entrevista à BBC, transmitida no domingo, Spencer traçou um paralelo entre o tratamento dado pela imprensa sensacionalista a Diana e o tratamento que seu filho mais novo, Harry, e sua esposa Meghan têm sofrido nos últimos anos. O casal retornou recentemente ao Reino Unido.
Ele lamentou "uma influência nociva" e um "veneno", assim como fez em seu comovente discurso fúnebre no funeral da irmã. Disse estar preocupado com a segurança do príncipe Harry, que não conta com proteção policial desde que se afastou de suas funções reais, enquanto as autoridades investigam o caso.
- Mohamed Al Fayed -
Spencer relata em seu livro que Diana "não gostava de Mohamed Al Fayed", pai de seu parceiro, Dodi Al Fayed, que morreu ao seu lado no acidente de carro.
A princesa teria lhe dito, "com desgosto, que, no início de seu relacionamento com Dodi, Mohamed a abordou, deixou sua mão deslizar por suas nádegas e as beliscou, dizendo em tom obsceno: 'No Egito, o sogro tem a preferência'".
O ex-proprietário da Harrods, que morreu em 2023, é acusado por dezenas de mulheres de agressão sexual, estupro e exploração sexual.
L. Andersson--BTZ