Rei Charles III se reúne com Trump em tentativa de recompor relações
O rei Charles III foi recebido nesta segunda-feira (27) pelo presidente Donald Trump na Casa Branca, no início de uma visita de Estado marcada por tensões transatlânticas e um novo suposto atentado contra o presidente dos Estados Unidos.
Por trás da calorosa recepção diante das câmeras, esconde-se uma divisão cada vez mais profunda na chamada "relação especial" entre Washington e Londres, devido à guerra de Trump no Irã.
Na tarde ensolarada na capital americana, Charles III e Trump trocaram apertos de mão e, aparentemente, comentários amistosos junto ao Pórtico Sul da Casa Branca, inaudíveis para os jornalistas.
Os Trump ofereceram ao casal real um chá e, mais tarde, uma visita às colmeias da Casa Branca.
A visita de quatro dias foi planejada para celebrar os laços históricos entre os dois aliados próximos, por ocasião do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos do antepassado do monarca britânico, George III.
Mas acabou levando Charles, de 77 anos, a realizar uma ofensiva de charme diplomático depois que Trump, de 79, criticou duramente a recusa de Londres em ajudar Washington no conflito com o Irã.
A viagem real também não foi cancelada apesar de um ataque a tiros no jantar de correspondentes da Casa Branca, ao qual Trump compareceu no sábado. Um suspeito acusado de tentar assassinar o presidente compareceu a um tribunal nesta segunda-feira.
Como resultado, uma visita já meticulosamente planejada, com compromissos limitados com a imprensa para evitar momentos improvisados, ocorre agora sob medidas de segurança ainda mais rigorosas.
Na terça-feira, os Trump se reunirão com Charles e Camilla no Salão Oval e oferecerão um jantar de Estado. Charles também se tornará o primeiro monarca britânico a discursar no Congresso desde que sua mãe, a falecida rainha Elizabeth II, o fez em 1991.
O casal real britânico chegará em Nova York na quarta-feira, onde visitará o memorial dos Atentados de 11 de setembro de 2001, antes de partir na quinta-feira para Bermudas, na primeira visita de Charles como monarca a um território britânico ultramarino.
— "Elefante na sala" —
A visita de Charles III e Camilla "honrará a relação especial e de longa data entre os Estados Unidos e o Reino Unido", afirmou na segunda-feira a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Mas a viagem provocou forte polêmica, já que a ofensiva do presidente americano contra o Irã abriu uma fissura incomum entre Londres e Washington.
Trump criticou repetidamente o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, por sua oposição à guerra, bem como pelas políticas de imigração e energia de seu governo.
Starmer "não é Winston Churchill", afirmou Trump, em referência ao premiê em tempos de guerra que cunhou a expressão "relação especial".
Starmer criticou publicamente a guerra, mas defendeu a visita de Estado.
Para Trump, a visita do rei pode ajudar a reparar as relações transatlânticas.
"Ele é meu amigo há muito tempo (...) representa sua nação como ninguém mais pode fazer", disse o presidente à Fox News no domingo.
A viagem representa um desafio pessoal para Charles, que tem lutado contra o câncer nos últimos anos. Mas o rei já demonstrou suas habilidades diplomáticas durante a visita de Estado de Trump ao Reino Unido em setembro.
Em geral, ele é "muito bom" ao lidar com esse tipo de situação, afirmou Craig Prescott, especialista em monarquia da Royal Holloway, University of London.
Segundo Prescott, é provável que Charles aborde a guerra — "o grande elefante na sala" — de forma indireta diante do Congresso.
Enquanto isso, o escândalo envolvendo o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein ameaça ofuscar a viagem.
Charles enfrentou uma grave crise por causa da amizade de seu irmão, o ex-príncipe Andrew, com o bilionário, que morreu na prisão em 2019.
B. Semjonow--BTZ