Trump promete enfrentar qualquer ameaça contra EUA e se vangloria de 'virada histórica'
O presidente Donald Trump se vangloriará nesta terça-feira (24) de uma "virada histórica" dos Estados Unidos e advertirá que está disposto a responder a qualquer ameaça, e isso inclui a América Latina, segundo trechos do seu discurso sobre o Estado da União no Congresso.
Previsto para as 23h (em Brasília), o discurso anual de Trump promete ser longo, explicou o próprio mandatário antes de comparecer ao Congresso, onde dezenas de democratas boicotarão o evento, em protesto por sua política anti-imigratória.
"Estamos restaurando a segurança e a dominação dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental, atuando para proteger nossos interesses nacionais e defender o nosso país da violência, das drogas, do terrorismo e da ingerência estrangeira", dirá Trump, segundo este texto antecipado pela Casa Branca.
"Durante anos, amplas porções de território em nossa região, incluindo grandes partes do México, têm sido controladas por sanguinários cartéis do tráfico de drogas", adverte o texto parcial.
Os Estados Unidos protagonizaram uma captura audaz de um presidente latino-americano, o venezuelano Nicolás Maduro, o primeiro desde a prisão do panamenho Manuel Noriega em 1989.
No fim de semana passado, os serviços de inteligência americanos tiveram um papel decisivo para que o Exército mexicano localizasse e matasse Nemesio Oseguera, apelidado de "El Mencho", chefe do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG).
"Depois de apenas um ano, posso dizer com dignidade e orgulho que conseguimos uma transformação como nunca antes se tinha visto, e uma virada histórica", Trump deverá dizer no discurso.
Além disso, o mandatário quer dar um tom histórico ao seu discurso, no ano do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, que promete uma grande celebração em 4 de julho, de acordo com a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
- Uma 'era de ouro' que nunca chega -
Há um ano, Trump prometeu o início de uma "era de ouro" para seu país, frustrado pela inflação persistente, pela divisão política e pela crescente sombra da China.
Trump imprimiu um ritmo frenético ao seu segundo e último mandato, com golpes espetaculares no exterior, como a captura de Maduro, e negociações difíceis, como o precário cessar-fogo em Gaza.
Mas o presidente republicano chegou ao poder principalmente com o slogan "os Estados Unidos em primeiro lugar", e essa promessa ainda não se concretizou.
O crescimento econômico em 2025, de 2,2%, foi menor que o do ano anterior, a inflação permanece alta (2,9% em dezembro, na comparação anual) e apenas o emprego apresenta um bom ritmo.
Há um ano, Trump decidiu apostar boa parte de sua agenda econômica nas tarifas.
A Suprema Corte acaba de derrubar essa política, que Trump justificou como uma "emergência nacional", e lembrou ao presidente que, se quiser alterar as tarifas, precisa pedir a colaboração do Congresso, onde as negociações com os democratas estão bloqueadas.
Trump declarou-se "envergonhado" e acusou os seis juízes da Suprema Corte que votaram contra suas tarifas de serem "vendidos".
Nesta terça-feira, todos os magistrados do tribunal foram convidados a comparecer à Câmara, e essa presença poderá gerar alguma controvérsia.
- Ausências e estrelas -
O Congresso retorna às sessões nesta terça-feira sem ter resolvido o impasse sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna.
No centro das negociações entre republicanos e democratas estão as agências de imigração, que podem continuar operando por enquanto porque seu orçamento foi aprovado no ano passado.
Os democratas exigem mudanças na forma como os agentes federais operam, como não cobrir o rosto e apresentar ordens judiciais, o que Trump parece não estar disposto a conceder.
As pesquisas mostram resultados mistos em relação a Trump. Os principais índices de opinião indicam menos de 50% de aprovação, mas seus apoiadores permanecem firmes, enquanto os eleitores democratas parecem estar novamente mobilizados.
Se as eleições de meio de mandato, que renovarão parcialmente o Congresso em novembro deste ano, resultarem em uma vitória democrata, Trump enfrentará um final de governo difícil.
Os democratas convidaram vítimas do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein para o discurso do presidente, que ordenou a divulgação de milhões de documentos, mas ainda não conseguiu se livrar da sombra do escândalo.
Trump respondeu convidando a seleção masculina de hóquei, que fez história no último fim de semana nos Jogos Olímpicos de Inverno ao derrotar o Canadá e conquistar a medalha de ouro.
Em contrapartida, a equipe feminina, que também conquistou o torneio olímpico com uma vitória sobre o Canadá, recusou o convite do presidente para comparecer ao Congresso.
P.Grazvydas--BTZ